Domingo, 5 de Julho de 2009

O cómico percurso de uma notícia científica

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

A única diferença é que não eu tenho barba

"Às vezes acordo já com a ideia para o post do dia toda organizada na cabeça e sou completamente capaz de imaginá-la já escrita e publicada enquanto aparo a barba, o que, bem sei, não abona muito o meu estado de saúde psíquico. Depois, à medida que o dia avança, vou-me esquecendo e já não me lembro de nada à hora a que tomo o pequeno-almoço, o que sucede mais ou menos vinte minutos depois de aparar a barba. Não sei, por isso, o que estará a funcionar pior dentro da caixa dos pirolitos, qual das funções está mais afectada pelo avanço da idade e pelo álcool, mas parece-me, assim de repente, que talvez não seja má ideia declarar o estado de calamidade e começar a pensar em trocar de cabeça."

Post de Manuel Jorge Marmelo no blogue Teatro Anatómico.
(Já agora, fica aqui uma dica: há mais de um mês que o Marmelo, escritor e jornalista, assina uma crónica semanal no P2, o segundo caderno do PÚBLICO. Para ler todas as terças-feiras.)

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

A bióloga marinha Ana Catarino quer ir ter com os pinguins


Temos agora mais um concurso de blogues: Blog your Way to Antactica. Desta vez é organizado pelo Quark Expeditions e dará ao vencedor a oportunidade de viajar acompanhado até a Antártica e tornar-se no blogger oficial dessa expedição. Ora bem, a bióloga marinha portuguesa Ana Catarino, que está em agora Bruxelas fazendo um doutoramento sobre os efeitos da acidificação dos oceanos nos ouriços do mar, está a concorrer e pediu-me para divulgar o seu blogue no Bordado Ingles. Chama-se Diário de Bordo. Leiam e, se acharem que merece, votem aqui.

Imagem: Stuart Franklin / Magnum

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Foi bonito o Luso 2009, pá!

O terceiro encontro de estudantes e investigadores portugueses no Reino Unido - o Luso 2009 - correu muito bem. A maioria das intervenções foi interessante e/ou útil. O meu objectivo era escrever um post longo sobre o evento que decorreu, no último sábado, no Imperial College London. Mas ando às voltas com a preparação e marcação das entrevistas (e, para falar a verdade, esse calorão também não nos dá muito dinamismo) e, por isso, deixo aqui apenas um brevíssimo resumo que fiz no Twitter.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Na TAP é de graça, mas...


Não compreendo por que é que as sandes (os sanduíches) da TAP têm de ser tão macilentas.

A foto foi retirada do blogue Bolo de Canela.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Chovem sapos no Japão (e ninguém faz nada)

Esta semana choveram, novamente, girinos no Japão. Eu achava que essa coisa de chover animais só existia no cinema e na literatura (mais exactamente no filme Magnolia, de Paul Thomas Andersen, e no livro Kafka on the Shore, de Haruki Murakami). Mas não. Existem vários registos sapos, peixes (e outras criaturas do mar) a caírem do céu. Eu vou tentar fingir que isto é aceitável, prometo, mas entristece-me que o mundo real retire originalidade à ficção.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Escutamos enquanto bordamos XX

GOVERNO - Meio Bicho e Fogo from 8 e Meio on Vimeo.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Buzz Aldrin em Londres


O astronauta Buzz Aldrin estará em Londres, no próximo dia 4 de Julho, para participar no festival "Literature and Spoken Words" do Southbank Centre. Oportunidade rara para ouvi-lo. Já tenho os meus bilhetes.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Hélder Barbosa ajudou a desenvolver um processo industrial de produção de ADN para vacinas [UK a pensar em português]



[Quem é] Hélder Barbosa

[Idade] 28 anos

[Onde nasceu] Nine, Famalicão

[Quando veio para o Reino Unido] Novembro de 2005

[O que faz agora] Acabar a tese do Doutoramento em Biotecnologia

[Onde estudou] Universidade do Minho (Biologia Aplicada), em Portugal, e Universidade de Leiden, na Holanda

[Razão pela qual resolveu mudar]

A vinda para o Reino Unido deve-se ao facto de ter integrado num projecto de doutoramento em Portugal em que as parcerias com as universidades do Reino Unido já estavam estabelecidas.

[Algo importante que tenha aprendido na ilha]

A cultura do “querer fazer melhor” na investigação é um dos aspectos mais importantes que retenho. Aprendi ainda a gostar de chá: com leite e não às 5, mas às 3.30 da tarde :). (Isto sem mencionar os aspectos profissionais, pois acumula-se imenso conhecimento numa experiência académica destas.)

[Uma imagem mental da Inglaterra]

Na cidade de Cambridge, onde nos "esbarramos" com ciência em cada canto: os parques verdes espalhados por toda a cidade. As bicicletas por todo lado. A arquitectura dos edifícios históricos. As sextas-feiras em que as ruas mais parecem um ringue de combate de boxe.

Em Londres: a diversidade cultural, os autocarros vermelhos e os táxis pretos, a quantidade de pessoas que se concentra em Oxford Street e Picadilly Circus.

Nas duas cidades, as inglesas que usam mini-saias e sapatos de tacão alto mesmo em dias de neve.

[Qual é o projecto que anda a bordar]

O projecto que bordei no meu doutoramento consiste no desenvolvimento de um processo industrial para a produção de ADN para ser usado em futuras vacinas de ADN ou terapia genética.

A técnica consiste no isolamento do ADN de bactérias usando sistemas de duas fases aquosas. O elevado grau de pureza do produto final, exigido pelas agências reguladoras de novos fármacos, foi obtido usando proteínas com elevada afinidade e especificidade para o isolamento do ADN.

Ainda estou sem projecto profissional definido para o futuro, mas sei que certamente passará pela investigação ou consultadoria na área da biotecnologia.

Não, não é um rato num pão!


É mesmo o fóssil que deu muito o que falar no final do mês de Maio, baptizado de "Ida" pelo cientista holandês que o estudou ( Ida é o nome da filha do cientista, não sei que raio de homenagem é essa, mas de qualquer forma o nome cientificamente correcto do fóssil é Darwinius masillae). Este fóssil é lindo, lindo. Uma bela peça, quase completa (só falta um pé), cheia de elementos para serem estudados pelos cientistas (havia até pêlos e resíduos da última refeição vegetariana no estômago). Mas não é um elo perdido nem a chave sagrada para descobrir tudo sobre o nosso "passado animal", como muitos sugeriram. O jornalista Nicolau Ferreira explica os detalhes do circo mediático e científico à volta do fóssil neste artigo no PÚBLICO. Este texto publicado no segundo caderno do jornal, o P2, ajuda-nos a compreender como é que a própria comunidade científica já sabe manejar (e bem) as ferramentas de comunicação de massa.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Não, não é o fóssil da Ida...

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Ciência e defesa são compatíveis? O ministro britânico responde no Twitter

O improvável aconteceu. Hoje à tarde. E eu nem sequer estava no Twitter para testemunhar isto: o ministro britânico Lord Drayson, que escreve mensagens de 140 caracteres nesta conta, resolveu responder directamente a dois tweets em relação à alegada incompatibilidade das pastas da ciência e da defesa (a mudança foi feita após oito ministros dito adeus a um fragilizadíssimo Gordon Brown, provocando assim mais uma remodelação na equipa de Westminster). O debate alargou-se a outros utilizadores deste sistema de microblogging e, em pouco tempo, várias pessoas estavam em tempo real a trocar ideias directamente com o ministro da tutela. Sem assessores, secretárias ou qualquer outro intermediário.

Na verdade, tudo começou com apenas uma mensagem, escrita pelo comunicador de ciência Colin Stuart (@skyponderer no Twitter): "Anyone else worried that science and defence are now inextricably politically linked? with @lorddrayson doing both jobs!?" O escritor P.D. Smith leu, ficou preocupado e escreveu um tweet a dizer isso mesmo. Adivinha quem respondeu? O ministro da ciência! "What are you worried about?", perguntou Lord Drayson, o próprio.

Quem quiser saber o resto da história pode ler os relatos de Andrew Maynard e de P.D.Smith, respectivamente, aqui e aqui.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Enfim, o trabalho de campo

Finalmente chegou a parte mais desejada de todo o meu projecto: fazer entrevistas. Depois de alinhavar três capítulos (versões provisórias), estou a ultimar com o meu supervisor o guião das entrevistas com 11 escritores britânicos. Já enviei o pedido a todos os respectivos agentes literários e, hoje, chegaram duas respostas à caixa de correio electrónico. Fiquei incrivelmente feliz!

O bordado de Maria Gabriela Llansol


"Leio um texto e vou-o cobrindo com o meu próprio texto […]. [P]arece-me que um fino pano flutua entre os olhos e a mão e acaba cobrindo com uma rede, uma nuvem, o já escrito. O meu texto é completamente transparente e percebo a topografia das primeiras palavras.
Situo-me historicamente ao lado de outras mãos que bordaram tecidos de outra época. […] Passo da escrita ao bordado traduzindo como se ambos fossem a minha palavra [...]. Com um livro se escreve outro livro.
Eu escrevo, depois leio o que escrevo como se não o tivesse escrito."

Texto: fragmento de Maria Gabriela Llansol
Imagem:
Marilyn Silverstone /Magnum (Delhi, Índia, 1966)

Domingo, 7 de Junho de 2009

Os cientistas também cantam II



Lembram-se da canção do PCR, da qual falei aqui há tempos? Pois bem, esta é uma outra versão musical cómica criada para uma peça de publicidade da empresa Bio-Rad. Encontrei-a no blogue ChemCafé, por recomendação do David Bradley (ScienceBase), e achei o vídeo muito engraçado. Fala sobre enzimas, nucleotídeos e outras coisas do mundo da biologia.

Como deixar o seu nome "gravado" em Marte

O Mars Science Laboratory lançou uma campanha simples e sedutora para tornar a missão à Marte ainda mais popular: este sítio electrónico permite a qualquer um de nós inserir o nosso nome, bem como o local de origem (ou residência), num chip que será enviado para o chamado planeta vermelho. Após o registo, podemos imprimir, ou salvar em ficheiro pdf, um certificado que atesta que o nosso "nome passará à História".

Esta estratégia de comunicação de ciência parece-me muito eficaz. Ao repassar a informação no Twitter, pude verificar que pessoas de idades, profissões e nacionalidades diferentes ficaram rapidamente interessadas e inscreveram-se. Creio que há vários factores que concorrem para isso.
Todos nós sabemos que morreremos um dia, deixando como rasto material apenas moléculas num universo extretamente vasto. Moléculas que não têm nome nem dono. Desta forma, ainda que inconscientemente, a ideia de deixar registada no espaço a nossa breve existência é agradável para qualquer ser humano.
O Mars Science Laboratory recorre assim a este desejo ancestral - o de deixar uma marca, uma obra, um livro, um lápis que seja! - para despertar nas pessoas um sentimento de carinho em relação à missão. Acho que a coisa funciona mais ou menos assim na nossa cabeça: "eu" - apesar de não ser norte-americano - "participo" na missão.
Por outro lado, esta campanha do laboratório na Califórnia também "atenua" o facto de os humanos não participarem nesta jornada espacial. O chip que será transportado num rover até Marte estará assim, simbolicamente, a permitir que cada um de nós possa também "viajar" ao planeta que tanto estimula o nosso imaginário.
Por fim, um último detalhe - uma campanha eficaz não tem de necessariamente custar fortunas. Ao que tudo indica, esta funciona unicamente em suporte digital e propaga-se através de redes sociais ou de partilha de informação. Considerando que, no momento em que escrevo este post , cerca de 166500 já puseram o seu nome "a caminho" de Marte, a campanha já está mais do que "paga".

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Vote no seu blogue favorito de ciência!

As urnas para votar no seu blogue favorito de ciência (escrito em inglês) estarão abertas só até ao dia 8 de Junho. Os vencedores do 3 Quarks Daily 2009 Science Prize serão anunciados no próximo dia 21 de Junho.
Vote aqui.

Como eu expliquei há dias neste post, o meu voto vai para o blogue convidado do PÚBLICO My Genes and Me, de Ana Gerschenfeld (versão em inglês do Os Meus Genes e Eu). Na primeira fase do prémio promovido pelo reputado site 3 Quarks Daily, a de nomeações, indiquei ainda as seguintes entradas:

2020 Science:
um belíssimo post de Andrew Maynard sobre a crise no jornalismo de ciência

Laelaps:
um texto de Brian Switek que esclarece por que é que dizer que o fóssil "Ida" é um elo perdido ou ou o Santo Graal da ciência é um exagero sensacionalista

Não importa para qual blogue vai o seu voto. Importa, sim, que se aproveite a oportunidade para *ler* muitas das coisas inteligentes que andam a ser feitas na blogosfera. Há mais de 170 posts nomeados,versando sobre os mais diversas áreas do conhecimento, da neurologia à astronomia. Leiam e votem naquele de que gostarem mais.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

A ciência dos castelos de areia

Investigadores da Durham's School of Engineering andam a pesquisar o segredo dos castelos de areia - ou melhor, das construções feitas com solo arenoso e água - e acham que este conhecimento pode ser melhor caminho para uma engenharia amiga do ambente. Mais detalhes aqui.

Sábado, 30 de Maio de 2009

O que as mulheres inventam quando querem uma carteira nova

Não consegui resistir. Não desta vez. Há cinco justificações muito válidas (enunciadas abaixo numa ordem aleatória):

1) VIAGEM: Eu sou uma pessoa suburbana. Quem tem de apanhar um comboio para a universidade precisa de um acessório adequado para transportar livros, garrafa de água e tantas outras coisas essenciais a uma estudante latina e atrapalhada.
2) DINHEIRO: Estava em promoção.
3) CUSTO/BENEFÍCIO: É uma bolsa para a vida toda (materiais: linoléum com alças em pele).
4) AMBIENTE: É ecológica, usarei menos sacos plásticos nos supermercados.
5) ALIMENTAÇÃO: Posso agora transportar o almoço e o lanche para o escritório sem parecer que vou acampar na universidade. Como consequência, pouparei o dinheiro que gastava nas refeições da cantina e consumirei alimentos mais saudáveis. Reparem que o fundo da sacola não é mole, logo os tupperwares mantêm-se na mesma posição ao longo de toda viagem e não sujam os livros da biblioteca com molho de soja.

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Nomeie um blogue português para o "3QD Prize in Science 2009"

Leio o blogue "Os Meus Genes e Eu" desde a sua criação. Era um "nascimento" quase inevitável após a publicação de uma peça tão interessante e corajosa no Jornal PÚBLICO, escrita com a qualidade a que a jornalista Ana Gerschenfeld nos habituou (e reparem que o português não é a sua língua materna - mas já lá vamos).
Tudo começou quando Ana se submeteu a um teste de ADN e partilhou a experiência com os leitores do Público. Interessava-lhe não tanto descobrir se estava mais susceptível à doença A ou B, mas sobretudo saber mais sobre os seus antepassados longínquos. E então nasceram não só "Os Meus Genes e Eu" mas também o seu "clone" em língua inglesa, o "My Genes and Me". Neste blogue bilíngue lemos um testemunho pessoal que espelha a importância simbólica (e biológica) que o património genético tem para cada um de nós.
Na nossa cultura pós-1953, tal como os nossos antepassados valorizavam o "sangue" como indicador de classe, saúde ou carácter, acreditamos que nos nossos genes estão registados tanto o nosso passado como o nosso futuro. Fascinam-nos a nossa herança, a nossa origem, a nossa inscrição molecular num mundo demasiado antigo para tão breves vidas humanas. A Ana G. sabe abordar esta nossa relação cultural com a genética de forma sedutora mas séria, ética, mantendo-se à margem do determinismo biológico ou da sua manipulação para fins políticos ou religiosos.
Imagino o esforço pessoal que isso exige da Ana G. Sim, porque a Ana não é apenas jornalista - é mulher, é leitora, é mãe, é contribuinte, é tudo aquilo que a maioria de nós somos para além do trabalho. A Ana G. é também poliglota (nasceu na Argentina e, mais tarde, já em França, escreveu para conceituadas revistas de jornalismo de ciência), o que ajuda, mas não diminui o seu mérito em produzir textos em duas línguas para um blogue convidado de um jornal português. E ela faz com gosto - como todos os bons profissionais o fazem.
O PÚBLICO pode ser considerado o melhor diário generalista (foi a distinção que recebeu ontem nos Prémios Meios & Publicidade), mas tem certamente menos recursos do que outros jornais de referência nos Estados Unidos e na Inglaterra. Quer isto dizer que "My Genes and Me", por estar também disponível em inglês e, assim, acessível a milhões de pessoas que não dominam o português, pode ser considerado uma espécie de David em terras de Golias.
É por tudo o que acabei de referir nos parágrafos acima que não podemos perder a oportunidade de votar no "My Genes and Me" para o "3QD Prize in Science 2009", uma distinção que terá o cientista Steven Pinker como júri e será atribuída ao melhor blogue de ciência (escrito em inglês) pelo reputado site "3 Quarks Daily".
Eu já votei. Agora é a vossa vez.

PS. As urnas virtuais encerram a 8 de Junho! Votem aqui.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Forrester: "O inglês que amava Portugal"


Nasceu há 200 anos, em terras britânicas, mas apaixonou-se por Portugal. Uma história contada ao pormenor, por Manuel Carvalho, na edição de ontem do Público - para ler aqui.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

O primeiro astronauta britânico

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Middlemarch, "ouvlendo"a cidade fictícia de George Eliot


"We know what a masquerade all development is, and what effective shapes may be disguised in helpless embryos. - In fact, the world is full of hopeful analogies and handsome dubious eggs called possibilities."


Continuo a "ouv-ler" Middlemarch, de George Eliot. Isto depois de ter visto a série completa da BBC em DVD. Fabuloso. "Releio" a ouvir no leitor de MP3 os capítulos do áudio-livro oferecido gratuitamente pelo projecto Librivox - onde é possível encontrar ficheiros de áudio de vários livros clássicos, obviamente já em domínio público, lidos por voluntários.
A palavra falada + a palavra impressa = uma nova experiência de leitura.
Nada melhor para tornar a viagem de comboio (trem) mais curta.
Nada melhor para melhorar a pronúncia e a fluência da língua inglesa.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

LUSO 2009 reúne em Junho investigadores portugueses no Reino Unido

Estão abertas as inscrições para o LUSO 2009, o terceiro encontro de investigadores e estudantes portugueses no Reino Unido. O evento realiza-se no próximo dia 27 de Junho no Imperial College London. Podem consultar o programa completo abaixo e inscreverem-se aqui.


Programa

27 de Junho de 2009, Imperial College, Londres

9.00 – 9.45 Registo

9.45 – 10.00 Abertura do encontro

10.00 – 11.30 Sessão Plenária “Educação, Ciência e Investimento”

José Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Eduardo Marçal Grilo, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian
Basílio Horta, Presidente da Agência para o Investimento e Comércio
Externo Portugal (AICEP)

Sessão de discussão e debate moderada por Andréia Azevedo Soares

11.40 – 12.20 Sessão “Global Opportunities”
11.40 – 12.00 British Council - Lloyd Anderson, Gill Caldicott
12.00 – 12.20 Hovione (a confirmar)

12.30 – 14.00 Almoço

Sessões paralelas

A1: 14.00 – 15.00 “Ciência e Tecnologia” - sala a anunciar
14.00 – 14.30 Maria José Cruz, Editora Associada da revista Science, Cambridge, Reino Unido
14.30 – 15.00 David James Harris, Investigador, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto

B1: 14.00 – 15.00 “Ciências Económico-financeiras” - sala a anunciar
14.00 – 14.30 António Mexia, Presidente do Conselho de Administração da EDP
14.30 – 15.00 António Viana-Baptista, Presidente e CEO da Telefónica Móviles S.A.

15.00 – 15.30 Intervalo

A2: 15.30 – 16.30 “Investigação e Desenvolvimento” - sala a anunciar
15.30 – 16.00 Nuno Arantes-Oliveira, CEO da empresa de biotecnologia ALFAMA
16.00 – 16.30 Paulo Freitas, Director do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia

B2: 15.30 – 16.30 “Ciências Sociais e Humanas”
15.30 – 16.00 António Costa Pinto, Investigador, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
16.00 – 16.30 João Gomes Porto, Lecturer in Peace Studies, University of Bradford, UK

16.30 – 17.00 Pausa para café

17.00 – 17.45 Sessão plenária
Hermínio Martins, Sociólogo, Emeritus Professor, St Anthony's College Oxford

17.45 – 18.00 Encerramento

19.00 – 20.30 Recepção na Embaixada de Portugal no Reino Unido

20.30 – Convívio

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Nuno Silva trabalha para que o robô a ser enviado a Marte saiba fazer tudo sozinho (incluindo análises laboratoriais!) [UK a pensar em português]


[Quem é] Nuno Silva

[Idade] 30 anos

[Onde nasceu] Trofa

[Quando veio para o Reino Unido] Janeiro 2008

[O que faz agora]
Co-responsável pela equipa de desenvolvimento do GNC ("piloto automático") para o Rover europeu para Marte (ExoMars) na empresa Astrium (grupo EADS).

[Onde estudou]
Instituto Superior Técnico de Lisboa (Engenharia Aeroespacial) e, depois, École Nationale Supérieure de l'Aéronautique et de l'Espace, em Toulouse.

[Razão pela qual decidiu mudar]
A minha mudança mais recente foi da França para a Inglaterra. Deveu-se ao fim do projecto do qual fazia parte em Paris - o ATV (Automated Transfer Vehicle) para a missão Jules Verne.



E deveu-se também à oportunidade de começar um outro projecto ambicioso (mas desta vez com mais responsabilidades). Também queria ver como é trabalhar em Inglaterra, sobretudo em comparação à França.

[Algo importante que tenha aprendido na ilha]
Não sendo o primeiro país estrangeiro em que moro, reencontrei pontos em comum com França: os "porquês" das coisas, isto é, por que é que se faz de uma forma em Portugal, de outra em França, e outra em Inglaterra...
Especificamente em Inglaterra, talvez tenha aprendido a lidar com uma sociedade bem mais agressiva e a (tentar) ser mais diplomata.

[Uma imagem mental de Inglaterra]

Os tijolos, sobretudo os escuros.
Os transportes caríssimos (é mais barato ter um carro).
A relação dos ingleses com o álcool e a forma como se comportam à noite.

[E qual projecto anda a bordar?]
Faço parte de um projecto chamado ExoMars, o primeiro da Agência Espacial Europeia (ESA) no âmbito do programa Aurora. O objectivo do Aurora a longo prazo é enviar homens a Marte. Já ao ExoMars cabe à tarefa de caracterizar Marte de um ponto de vista geológico, de descobrir possíveis sinais de vida em Marte e de identificar potenciais perigos para quando, no futuro, forem enviados homens.


O ExoMars é, portanto, uma missão científica que exige muita inovação técnica. Para alcançar as metas estabelecidas, é preciso um Rover - ou seja, um "carro" - de 6 rodas e com 21 graus de liberdade. Este Rover será autónomo em Marte, tendo mesmo a capacidade realizar todas as experiências científicas a bordo (podemos dizer que há dentro do Rover um pequeno laboratório).
Actualmente sou responsável pela equipa que desenvolve esse o controlo automático do Rover. É , para mim, um desafio técnico pela inovação (primeiro Rover Europeu) mas também humano, uma vez que agora sou responsável por gerir um grupo de pessoas.


Os cientistas em Terra apenas "dirão" onde querem ir na zona onde o Rover estiver e dar-lhe-ão instruções sobre o querem fazer de um ponto de vista científico. Uma vez recebidas as "ordens", o Rover escolhe um caminho seguro e inteligente até ao local pretendido. Evita todos os obstáculos, sejam eles rochas ou declives demasiado acentuados, e alcança esse ponto com uma precisão de um metro (m) por 100m viajados.
O Rover tem uma velocidade máxima de 100m/h (2.7cm/s) mas geralmente apenas viaja a 1cm/s (40m/h). Não parece muito, mas acaba por ser um grande desafio quando se trata de um robô completamente autónomo que está num meio desconhecido, com energia, potência e massa limitadas e, ainda por cima, a trabalha com a alta precisão necessária.

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Os clones de Kazuo Ishiguro no cinema

O romance Never Let Me Go (publicado em Portugal pela Gradiva como Nunca Me Deixes), de Kazuo Ishiguro, será transformado em filme e já está a ser rodado sob a direcção de Mark Romanek. A actriz Keira Knightley interpreta o papel principal, o da narradora Kathy H.
Esta não é a primeira vez que a obra de Ishiguro vai para o grande ecrã: o livro Remains of the Day, premiado com o Man Booker Prize, também deu origem a um filme homónimo, estrelado por Anthony Hopkins e Emma Thompson.

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Tudo o que sempre quisemos perguntar a um astronauta

Como é que os astronautas se "lavam"? De que modo sao distribuídas as tarefas entre os membros de uma tripulação? Quais são os objectivos científicos das missões actuais? Perguntas como estas podem agora ser colocadas directamente ao astronauta Frank De Winne, da Agência Espacial Europeia. As questões mais interessantes serão respondidas pelo próprio De Winne no canal da ESA no You Tube.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

António Lobo Antunes na The New Yorker

Para ler aqui.

As pessoas que escrevem uma tese... II

... geralmente ficam chatas e anti-sociais. Só querem falar sobre o seu tema de interesse, acham que não há nada mais importante do que os livros do David Mitchell. Recusam-se a jogar dardos com amigos divertidos, não comparecem ao jantar de comemoração do 25 de Abril e rejeitam um passeio de bicicleta na natureza com outro fantástico casal amigo. Ficam em casa de pijama todo o fim-de-semana agarradas ao computador. E, se tiverem a mesma sorte que eu, recebem ainda mimos e apoio em troca.

As pessoas que escrevem uma tese

A minha amiga R. praticamente concluiu a sua tese. Esta semana está apenas a tratar da introdução (é a última parte a ser escrita!) e dos detalhes finais: verificar se há erros no uso da língua, procurar gralhas, conferir dados bibliográficos, repensar algumas passagens à luz de comentários alheios e... cortar. Sim, cortar. Parece incrível que em tantas, tantas páginas ainda fique algo por dizer. Mas assim é, garante-me R. Nenhum suporte é exacto o suficiente para fazer caber um pensamento em construção.
Quando estamos a escrever para jornais queremos frequentemente mais espaço. É uma batalha contínua com editores. E achamos que quando estivermos a estudar, e tivermos uma tese inteirinha só para nós, vamos finalmente poder escrever tudo o que nos apetece. É R. quem o diz. E foi ela mesma a derrubar o mito.

Ainda estou muito, mesmo muito, longe da fase final da minha tese. Mas já recebi um aviso do orientador: cem mil palavras é o limite, mas não precisamos chegar ao limite, pois não?