terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Amazon vende tudo, incluindo o nada
Acabo de saber pelo Luís Rodrigues que não há nada que não se possa comprar na Amazon - e isto, naturalmente, inclui a possibilidade de comprar o próprio nada.
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Constatação (lavando roupa suja)
Uma das coisas mais chatas da Inglaterra é não ter uma varanda para pôr a roupa a secar.
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segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
Trouxeram-me do mercado
Provei hoje pêras asiáticas. Têm gosto de líchia. Soltam muita água. São refrescantes. Ainda não tenho uma opinião totalmente formada, mas acho que gosto de pêras asiáticas.
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Está a nevar em Londres
A gente percebe que está ficando velha quando, ao ver que está a nevar, fica a pensar se haverá comboios à noite em vez de dar uma gargalhada.
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domingo, 7 de Fevereiro de 2010
As células imortais de Henrietta Lacks
Foram publicados recentemente dois livros sobre mulheres que contribuíram silenciosamente para a ciência. Um deles é The Immortal Life of Henrietta Lacks, escrito pela jornalista de ciência Rebecca Skloot. Como o nome da obra indica, The Immortal life conta a história de Henrietta Lacks (1920 - 1951), a mulher que está por detrás das famosas células HeLa, a primeira linhagem celular humana imortal cultivada em laboratório.
Henrietta não era cientista nem descobriu esta linha celular imortal (assim chamada por se dividir continuamente), mas as células que foram retiradas do seu tumor uterino continuam até hoje a ajudar cientistas a desenvolver novos fármacos, fazer testes de toxicidade e compreender mecanismos celulares. Da vacina da poliomielite à quimioterapia, a contribuição de Henrietta para o avanço da medicina é enorme. Se hoje nós somos melhor medicados ou vivemos mais tempo, devemos em parte estar gratos à bela jovem negra que aparece na foto ao lado.
O mérito do livro de Rebecca Skloot, aplaudido em todas as críticas que li, é precisamente devolver às células HeLa uma imagem humana. É fazer lembrar que aquela linha celular um dia pertenceu a um ser humano - uma mulher de carne osso, negra, pobre, mãe de cinco filhos, portadora de um cancro de colo de útero extremamente agressivo. Em 1951, quando Henrietta estava internada na ala para pacientes negros do Hospital John Hopkins (sim, ainda havia então a abominável segregação nos Estados Unidos), foram-lhe colhidas amostras do tecido canceroso e entregues ao Dr. George Gey, que há anos tentava sem sucesso cultivar uma linha celular imortal para o estudo do cancro. Nunca foi pedida à paciente terminal qualquer tipo de autorização.
Rebecca entrevistou familiares de Henrietta, procurou perceber como os seus filhos - que nunca tiveram um seguro de saúde - vêem o uso das células HeLa por laboratórios, universidades e lucrativas empresas farmacêuticas. Não foi fácil convencer os Lacks a abrir a porta a uma escritora branca e agnóstica, mas Rebecca acabou por convencê-los a falar. O que autora encontrou foi um sentimento de usurpação e mágoa.
O outro livro de que falo do primeiro parágrafo chama-se The Fossil Hunter - Dinosaurs, Evolution and the Woman Whose Discoveries Changed the World. Segundo a crítica no New York Times, a obra gravita à volta da biografia de Mary Anning, uma 'caçadora' de fósseis e paleontóloga autodidacta que descobriu vários registos geológicos na praia de Lyme Regis, Sul da Inglaterra. Mary Anning gozou de alguma popularidade em vida, mas as suas sistemáticas contribuições para o estudo dos fósseis foram muitas vezes dissociadas do seu nome.
Henrietta não era cientista nem descobriu esta linha celular imortal (assim chamada por se dividir continuamente), mas as células que foram retiradas do seu tumor uterino continuam até hoje a ajudar cientistas a desenvolver novos fármacos, fazer testes de toxicidade e compreender mecanismos celulares. Da vacina da poliomielite à quimioterapia, a contribuição de Henrietta para o avanço da medicina é enorme. Se hoje nós somos melhor medicados ou vivemos mais tempo, devemos em parte estar gratos à bela jovem negra que aparece na foto ao lado.O mérito do livro de Rebecca Skloot, aplaudido em todas as críticas que li, é precisamente devolver às células HeLa uma imagem humana. É fazer lembrar que aquela linha celular um dia pertenceu a um ser humano - uma mulher de carne osso, negra, pobre, mãe de cinco filhos, portadora de um cancro de colo de útero extremamente agressivo. Em 1951, quando Henrietta estava internada na ala para pacientes negros do Hospital John Hopkins (sim, ainda havia então a abominável segregação nos Estados Unidos), foram-lhe colhidas amostras do tecido canceroso e entregues ao Dr. George Gey, que há anos tentava sem sucesso cultivar uma linha celular imortal para o estudo do cancro. Nunca foi pedida à paciente terminal qualquer tipo de autorização.
Rebecca entrevistou familiares de Henrietta, procurou perceber como os seus filhos - que nunca tiveram um seguro de saúde - vêem o uso das células HeLa por laboratórios, universidades e lucrativas empresas farmacêuticas. Não foi fácil convencer os Lacks a abrir a porta a uma escritora branca e agnóstica, mas Rebecca acabou por convencê-los a falar. O que autora encontrou foi um sentimento de usurpação e mágoa.
O outro livro de que falo do primeiro parágrafo chama-se The Fossil Hunter - Dinosaurs, Evolution and the Woman Whose Discoveries Changed the World. Segundo a crítica no New York Times, a obra gravita à volta da biografia de Mary Anning, uma 'caçadora' de fósseis e paleontóloga autodidacta que descobriu vários registos geológicos na praia de Lyme Regis, Sul da Inglaterra. Mary Anning gozou de alguma popularidade em vida, mas as suas sistemáticas contribuições para o estudo dos fósseis foram muitas vezes dissociadas do seu nome.
quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
O meu gravador morreu
Quer dizer, não é bem morrer. O meu gravador apenas perdeu a memória - o que, para fins jornalísticos, é quase o mesmo que morrer. Ninguém quer um gravador de áudio com Alzheimer.
O meu bichinho digital congelou ontem, ao fim da tarde, quando eu estava a transcrever a entrevista com o romancista Sebastian Faulks. Simplesmente congelou. Quando eu removi as pilhas, recolocando-as em seguida no seu devido lugar, o aparelho ligou mas tinha a memória completamente vazia. Eu tenho cópias de segurança de todo o material, mas isto não foi suficiente para evitar o sentimento de desconsolo. Fiquei a imaginar as vozes de tantas pessoas lá dentro a esmorecer, a ficar cada vez mais suaves, até que delas não sobrasse nem um murmúrio. Imaginei também o meu gravador inerte, sem capacidade de recordar uma só das aventuras que vivemos juntos. É assustador o modo como humanizamos as nossas máquinas.
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terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
A ciencia e os média: garantindo o futuro
Encontro-me a ler este relatório elaborado pelo Science and the Media Expert Group, uma equipa composta por 16 especialistas britânicos na área do jornalismo e da comunicação de ciência. Este grupo produziu o documento útil (embora por vezes contraditório) intitulado "Science and and the Media: Securing the Future", que tem como objectivo não só analisar alguns dos problemas contemporâneos do jornalismo de ciência, mas também (ou sobretudo) apresentar recomendações para que os média britânicos informem mais e melhor os cidadãos sobre ciência, tecnologia, ambiente e saúde. O relatório foi divulgado há algumas semanas e pode ser lido na íntegra aqui.
Tentarei fazer aqui um resumo muito breve dos pontos que me parecem relevantes. Dividirei esta informacao em duas partes: constatações e recomendações.
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sábado, 30 de Janeiro de 2010
Overdose homeopática
Hoje cerca de três centenas de pessoas tomaram uma super-dosagem de pílulas homeopáticas em Inglaterra. O objectivo era mostrar que os comprimidos (vendidos em cadeias inglesas como a Boots, onde os participantes se concentraram) não têm qualquer princípio activo. Ao que parece, todos passam bem e até foram tomar umas cervejas depois no pub.
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sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
O maior e os menores livros do mundo em exposição

Um museu em Lyon, França, expõe vários livros minúsculos...

...e a British Library, em Londres, mostra pela primeira vez o maior livro do mundo.
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iPad
Eu já sabia que todo mundo ficaria com os berlindes aos saltos por causa do novo bebé da Apple, o iPad. Mas eu estou com o Alexandre Gamela: aquilo de que eu realmente preciso não é de mais um gadget (eu já tenho um netbook, lembram-se?), mas sim de uma aplicação que transcreva as minhas entrevistas. É disso que eu preciso. Concentrem-se nisto, rapazes.
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terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
O que é que W. G. Sebald tem de tão darwiniano?
Todos aqueles que bordam ou tecem sabem que há peças condenadas a um certo abandono antes de serem concluídas. Não se trata de negligência ou falta de interesse - creio que certos objectos, assim como determinados textos, precisam de um tempo próprio para serem terminados. Esta não deixa de ser a história deste post, que anda a ser alinhavado na minha cabeça desde o Verão o ano passado.
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segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010
Escutamos enquanto bordamos XXIII
Saudades brutais da Llasa de Sela (1972 - 2010), que aqui canta (em dueto com Stuart A. Staples) dois versos que me dão uma nostalgia igualmente brutal de algo que não sei exactamente o que é:
"We all have dreams of leaving, we all want to make a new start
Go and pack that little suitcase with the pieces of our hearts"
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domingo, 24 de Janeiro de 2010
Bebés chineses no espaço?

Descobri estas imagens fantásticas num blogue dedicado a posters de propaganda política chinesa, criado por Stefan Landsbeger (este investigador alemão é, entre outras coisas, autor deste livro). Ocorreu-me que há muita história da ciência passível de ser contada a partir de peças de design gráfico como estas.
Há nestas imagens associadas ao início do programa espacial na China algo que nos fascina e incomoda, um misto de sonho pueril e propaganda ideológica no seu melhor (ou pior, se pensarmos mais nas consequências do que na sua eficácia).
Reparamos como o espaço e o futuro, aqui representados, sugerem a ideia de um mundo fértil, repleto de cores e elementos de diversão. Perguntamo-nos onde estão os pais destas crianças. Não há oxigénio (é o que infiro a partir dos capacetes translúcidos) mas os animais de estimação não parecem estar asfixiados.
Ao ver com detalhe tais imagens, ficamos com um sabor estranho, ambíguo será a palavra certa, na boca. Porque este lugar mágico prometido em tinta sobre papel (toda imagem é uma promessa do que poderia ser) nunca chegou a ser concebido pela engenharia aeroespacial.
Há nestas imagens associadas ao início do programa espacial na China algo que nos fascina e incomoda, um misto de sonho pueril e propaganda ideológica no seu melhor (ou pior, se pensarmos mais nas consequências do que na sua eficácia).
Reparamos como o espaço e o futuro, aqui representados, sugerem a ideia de um mundo fértil, repleto de cores e elementos de diversão. Perguntamo-nos onde estão os pais destas crianças. Não há oxigénio (é o que infiro a partir dos capacetes translúcidos) mas os animais de estimação não parecem estar asfixiados.
Ao ver com detalhe tais imagens, ficamos com um sabor estranho, ambíguo será a palavra certa, na boca. Porque este lugar mágico prometido em tinta sobre papel (toda imagem é uma promessa do que poderia ser) nunca chegou a ser concebido pela engenharia aeroespacial.

sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
Propaganda viral
Esta é mais uma pérola da lista de vídeos engraçados da Biocompare, uma empresa que vende produtos para laboratórios de investigação biológica. (Lembram-se da canção do PCR? Também está na lista.) É curioso, como nota Brian Clegg no seu blogue Now Appearing, como estas empresas promovem a sua marca usando a técnica da propaganda viral: disponibilizar vídeos publicitários que, por serem divertidos e bem feitos, são subsequentemente propagados pelos próprios potenciais consumidores.
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quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
O Haiti não é aqui II
Acabo de assistir, como é hábito ao jantar, o telejornal da RTP. O pivot João Adelino Faria informa-me que o jornalista Vítor Gonçalves sofreu um traumatismo craniano e um ferimento na perna. Folgo em saber que o correspondente da RTP (excelente, por sinal) recebeu os devidos cuidados médicos e encontra-se fora de perigo. Quando penso que o assunto está encerrado (sim, porque a notícia já estava dada), o João Adelino Faria põe em linha o cinegrafista Carlos Pinota, que explica ao telefone como o seu colega da RTP sofreu os ferimentos na sequência do tremor de terra desta manhã. Até aí tudo bem, há o critério de proximidade, nós tendemos a valorizar o que nos rodeia, somos todos colegas, etcetera e tal. Mas depois aparece uma outra enviada da RTP, a Rosário Salgueiro, a entrevistar... dois enfermeiros que prestaram assistência a Vítor Gonçalves! Minha nossa senhora da comunicação social! Não havia outra reportagem para fazer numa terra que foi assolada pelo pior terramoto dos últimos 150 anos?
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terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
O Haiti não é aqui
O título deste post não é original, já deve ter sido utilizado vezes sem conta desde o terramoto que, há uma semana, conseguiu levar ao limite a crise humanitária no Haiti. Não me ocorre outro título, até porque é mesmo a canção de Caetano Veloso que toca na minha cabeça quando vejo as imagens terríveis dos corpos ensanduichados entre os escombros ou da luta renhida por um só biscoito vitaminado.
É isto que ouço aqui dentro:
"Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui"
O Haiti, em mim, começou por não ser aqui. Aqui é o familiar, é o perto, é o nosso carteiro e o nosso quintal, a doença da nossa namorada e o arranhão no nosso carro. Isto é o aqui. Por isso, o meu Haiti inicial, foi pensar imediatamente na Mariana Nissen, minha amiga de infância. Era muito tarde na Inglaterra quando li a mensagem enviada pela Diana, outra amiga de infância, a partir dos Estados Unidos, a dar a notícia do terramoto em Porto Príncipe. A Diana perguntava se alguém havia conseguido falar com a Mariana desde então. A CNN mostrava imagens do edifício das Nações Unidas (ONU) destruído. A Mariana havia chegado a Porto Príncipe, há menos de duas semanas, precisamente para trabalhar numa missão da ONU. Os órgãos de comunicação social antecipavam o desaparecimento de milhares de pessoas. Senti um cubo de gelo deslizar pela espinha (onde estás, Mariana?). Seria bonito da minha parte dizer que estava preocupada com todas as vítimas, mas estaria a mentir. Durante as longas horas em que nada se sabia sobre o paradeiro da Mariana, aquilo que me angustiava profundamente não era o Haiti, mas sim a Mariana. O Haiti não era aqui.
A Mariana deu sinal de vida na manhã seguinte ao terramoto, às 9h00. Foi a mensagem escrita que mais alívio me causou até hoje. Outras pessoas sentiram o mesmo ao receber notícias da Mari, como é conhecida por aqueles que já tiveram o privilégio de privar informalmente com ela. A partir desse momento, ganhei disponibilidade emocional para verdadeiramente chorar os milhares de mortos e os milhões de desalojados., famintos e feridos. Só então deixei que o Haiti fosse aqui. Sinto-me uma pessoa podre por ter sido incapaz de o fazer antes.
É isto que ouço aqui dentro:
"Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui"
O Haiti, em mim, começou por não ser aqui. Aqui é o familiar, é o perto, é o nosso carteiro e o nosso quintal, a doença da nossa namorada e o arranhão no nosso carro. Isto é o aqui. Por isso, o meu Haiti inicial, foi pensar imediatamente na Mariana Nissen, minha amiga de infância. Era muito tarde na Inglaterra quando li a mensagem enviada pela Diana, outra amiga de infância, a partir dos Estados Unidos, a dar a notícia do terramoto em Porto Príncipe. A Diana perguntava se alguém havia conseguido falar com a Mariana desde então. A CNN mostrava imagens do edifício das Nações Unidas (ONU) destruído. A Mariana havia chegado a Porto Príncipe, há menos de duas semanas, precisamente para trabalhar numa missão da ONU. Os órgãos de comunicação social antecipavam o desaparecimento de milhares de pessoas. Senti um cubo de gelo deslizar pela espinha (onde estás, Mariana?). Seria bonito da minha parte dizer que estava preocupada com todas as vítimas, mas estaria a mentir. Durante as longas horas em que nada se sabia sobre o paradeiro da Mariana, aquilo que me angustiava profundamente não era o Haiti, mas sim a Mariana. O Haiti não era aqui.
A Mariana deu sinal de vida na manhã seguinte ao terramoto, às 9h00. Foi a mensagem escrita que mais alívio me causou até hoje. Outras pessoas sentiram o mesmo ao receber notícias da Mari, como é conhecida por aqueles que já tiveram o privilégio de privar informalmente com ela. A partir desse momento, ganhei disponibilidade emocional para verdadeiramente chorar os milhares de mortos e os milhões de desalojados., famintos e feridos. Só então deixei que o Haiti fosse aqui. Sinto-me uma pessoa podre por ter sido incapaz de o fazer antes.
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domingo, 10 de Janeiro de 2010
Momentos de genialidade
Marcus du Sautoy, professor de Matemática na Universidade de Oxford, discorre neste brevíssimo vídeo da BBC sobre os momentos "Eureka" da ciência. O que faz com que uma solução brilhante recaia sobre a cabeça de um investigador quase como uma prenda oferecida pelos céus? A resposta é, segundo Satoy, muito trabalho sério e prévio. E depois um pouco de curtição!
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sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010
O ADN visto por escritores
"Contrary to the rigorous doctrinal dualism of opposites — good/bad, black/white, straight/curved — here was a Creator who was bending it. Later, the sense of God lodged in Man looks much more beautiful as double-helix DNA. The elegant curving movements of micro-man and the macro-universe carry a deep satisfaction."
Jeanette Winterson, escritora britânica, explica ao The Times
como a ciência tornou-se importante na sua forma de conceber o mundo
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quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010
Resoluções de ano novo
Dedicar-me inteiramente à escrita da minha tese * Tornar-me anti-social * Viajar o mínimo possível * Ler unicamente livros relacionados com a tese * Usar menos o Twitter * Fazer mais exercício físico * Passar a não responder religiosamente todas as mensagens de correio electrónico * Ir mais vezes à British Library, onde me concentro mais do que no escritório da universidade * Escrever com mais frequência neste blogue (que passará a ser mais chato quando eu cumprir todas as resoluções acima).
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domingo, 20 de Dezembro de 2009
Acidente de Tiger Woods promove livro de divulgação científica
No meio dos destroços do carro de Tiger Woods, o famoso jogador de golfe, estava um livro de divulgação científica. A obra chama-se Get a Grip on Physics e o seu autor, o físico John Gribbin, conta neste vídeo como o acaso pode fazer esgotar um livro na Amazon.
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sábado, 19 de Dezembro de 2009
Guloseimas científicas
Descobri há umas duas semanas este blogue delicioso, o Not So Humble Pie. Fiquei especialmente interessada nas bolachas (biscoitos) com formatos ou coberturas alusivos à ciência. Aqui ficam alguns exemplos doces de comunicação da ciência:
Electroforese em gel
A tabela periódica
Átomos
Drosophila melanogaster
Electroforese em gel
ÁtomosDrosophila melanogaster é o nome científico das moscas da fruta, também conhecidas como moscas do vinagre. Estas moscas são o animal modelo mais comum em experiências genéticas, uma vez que são fáceis de cuidar, têm ciclos reprodutivos curtos e depositam muitos ovos.
A autora do blogue Not So Humble Pie pôs em todas as moscas olhinhos vermelhos, próprios da forma selvagem deste insecto. Seria engraçado encontrar um par de olhos brancos entre os biscoitos. É que foi precisamente esta característica, a cor dos olhos, que esteve na origem do famoso estudo genético do embriologista Thomas Hunt Morgan com moscas. Um dia T. H. Morgan encontrou na sua amostra de moscas selvagens um macho com olhos * brancos *. O cientista ficou intrigado e, a partir daí, passou a estudar a transmissão desta característica nas moscas da fruta.
A autora do blogue Not So Humble Pie pôs em todas as moscas olhinhos vermelhos, próprios da forma selvagem deste insecto. Seria engraçado encontrar um par de olhos brancos entre os biscoitos. É que foi precisamente esta característica, a cor dos olhos, que esteve na origem do famoso estudo genético do embriologista Thomas Hunt Morgan com moscas. Um dia T. H. Morgan encontrou na sua amostra de moscas selvagens um macho com olhos * brancos *. O cientista ficou intrigado e, a partir daí, passou a estudar a transmissão desta característica nas moscas da fruta.
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De volta ao bordado
Estou de volta. Com mais energia e menos confusão mental. Obrigada por todas as mensagens electrónicas e por todos os comentários encorajadores. Este blogue, daqui para frente, será sobretudo um bordado visto do avesso: nós, linhas soltas e algum ziguezague de uma agulha insana mas bem intencionada.
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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Quero ter uma entrada USB na minha nuca

Quando o Sérgio B. Gomes e eu conversámos sobre a possibilidade de criar este blog, há quase dois anos, ficou mais ou menos acordado que o Bordado Inglês seria um espaço para, entre outras coisas dispersas, contar a minha experiência na universidade. Eu tenho a impressão de que tenho falhado nesta tarefa. Às vezes até me indago se este blog cheio fios soltos ainda tem razão de ser. Não sei. Talvez seja apenas uma crise passageira.
Investigar um assunto que amamos - as relações entre a ciência e a literatura, no meu caso - é extremamente compensador. É um privilégio, aliás. Mas é um trabalho lento. Passamos o dia num escritório a ler, a tirar apontamentos, a preparar entrevistas e a responder mensagens de correio electrónico. Apenas uma parte pequena do tempo é usada para escrever algo que de facto fará parte da tese.
Ao contrário do que acontecia até 31 de Dezembro de 2007, quando o Jornal PÚBLICO me concedeu uma licença sem vencimento, eu não produzo textos para serem publicados num prazo de 24 horas. E isto faz com que seja diferente a minha relação não só com o tempo mas também com aquilo que sou capaz de produzir durante um dia. Aprendemos aos poucos a aceitar que não teremos nada de concreto para tornar público tão cedo. Aprendemos a compreender que há um texto muito confuso a ser escrito dentro da nossa cabeça - e que só nós mesmos temos acesso a ele, pelo menos até que ele ganhe forma no papel. É uma espécie de obsessão saudável que nos ocupa o cérebro e nos faz ficar um tanto alheios ao que se passa à nossa volta. Perdemos a vontade de escrever ou falar sobre qualquer coisa que não esteja relacionada com a nossa tese. Ficamos chatos , egoístas e repetitivos.
Torna-se então um formidável desafio narrar como correu o teu dia sem provocar um tédio profundo no interlocutor. Podes sempre dizer que estiveste ler, que descobriste um artigo muito interessante numa publicação científica que até então julgavas não prestar para nada, que recebeste um e-mail do David Mitchell com comentários preciosos sobre a personagem Somni~451, que ainda estás à espera que o agente literário do Ian McEwan diga se há ou não entrevista... mas a verdade é que isto interessará a muito pouca gente. Acresce que inventariar tarefas quotidianas não é o caminho mais inteligente para transmitir aos outros os parágrafos e as imagens que entretanto se movimentam dentro de ti. Não faço a mínima ideia de como partilhar estas ideias desgarradas aqui convosco. Talvez seja tempo de deixar de bordar.
Gostava de ter uma entrada USB na minha nuca para poder descarregar aqui o meu fluxo diário de ideias, apontamentos e leituras. Ficariam assim imediatamente disponíveis no ecrã não só as passagens dos textos que colori com marcador amarelo mas também o cheirinho do café que tomava enquanto os lia; as imagens que esses mesmos textos evocaram e o comentário que um colega fez ao ver tal figura representada no meu computador; o som da chuva a molhar a janela rectangular ao meu lado e a humidade do olhar para a página em branco.
Ao contrário do que acontecia até 31 de Dezembro de 2007, quando o Jornal PÚBLICO me concedeu uma licença sem vencimento, eu não produzo textos para serem publicados num prazo de 24 horas. E isto faz com que seja diferente a minha relação não só com o tempo mas também com aquilo que sou capaz de produzir durante um dia. Aprendemos aos poucos a aceitar que não teremos nada de concreto para tornar público tão cedo. Aprendemos a compreender que há um texto muito confuso a ser escrito dentro da nossa cabeça - e que só nós mesmos temos acesso a ele, pelo menos até que ele ganhe forma no papel. É uma espécie de obsessão saudável que nos ocupa o cérebro e nos faz ficar um tanto alheios ao que se passa à nossa volta. Perdemos a vontade de escrever ou falar sobre qualquer coisa que não esteja relacionada com a nossa tese. Ficamos chatos , egoístas e repetitivos.
Torna-se então um formidável desafio narrar como correu o teu dia sem provocar um tédio profundo no interlocutor. Podes sempre dizer que estiveste ler, que descobriste um artigo muito interessante numa publicação científica que até então julgavas não prestar para nada, que recebeste um e-mail do David Mitchell com comentários preciosos sobre a personagem Somni~451, que ainda estás à espera que o agente literário do Ian McEwan diga se há ou não entrevista... mas a verdade é que isto interessará a muito pouca gente. Acresce que inventariar tarefas quotidianas não é o caminho mais inteligente para transmitir aos outros os parágrafos e as imagens que entretanto se movimentam dentro de ti. Não faço a mínima ideia de como partilhar estas ideias desgarradas aqui convosco. Talvez seja tempo de deixar de bordar.
Gostava de ter uma entrada USB na minha nuca para poder descarregar aqui o meu fluxo diário de ideias, apontamentos e leituras. Ficariam assim imediatamente disponíveis no ecrã não só as passagens dos textos que colori com marcador amarelo mas também o cheirinho do café que tomava enquanto os lia; as imagens que esses mesmos textos evocaram e o comentário que um colega fez ao ver tal figura representada no meu computador; o som da chuva a molhar a janela rectangular ao meu lado e a humidade do olhar para a página em branco.
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quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Constatação (higiene oral)
Eu nunca vi ninguém lavando os dentes na casa de banho da minha universidade. Nunca.
domingo, 1 de Novembro de 2009
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
João Fayad em busca de uma representação virtual perfeita dos movimentos humanos [UK a pensar em português]

[Quem é] João Fayad
[Idade] 24 anos
[Onde nasceu] Catalão, Goiás, Brasil
[Quando veio para o Reino Unido] Novembro de 2008
[O que faz agora] Doutoramento em Ciências Informáticas no Queen Mary, University of London.
[Onde estudou] Engenharia Biomédica no Instituto Superior Técnico.
[Razão pela qual resolveu mudar] Em Portugal existem poucas oportunidades para continuar a trabalhar na área da engenharia biomédica para além do doutoramento. E, para prosseguir estudos, preferi fazê-lo noutro país. Na altura, surgiu esta oportunidade que se enquadrava perfeitamente no trabalho que tinha desenvolvido durante a minha tese de mestrado, pelo que optei por vir para cá.
[Algo importante que tenha aprendido na ilha]
Que facilmente se cria um grupo de "amigos" em qualquer lado, mas amigos a sério são raros. No entanto, essas amizades continuam onde quer que se esteja.
[Uma imagem mental da Inglaterra]
O convívio nos pubs, as noites que acabam cedo mas começam ainda mais cedo, os mercados de rua, a pluralidade de raças e culturas, as inúmeras horas perdidas em transportes e com burocracias. O céu cinzento, o frio e a chuva miudinha.
[O projecto que anda a bordar]
O meu doutoramento está integrado no projecto HUMANIS, que tem como objectivo construir uma representação computacional em três dimensões (3D) do corpo humano a partir de observações feitas por uma câmara de vídeo comum. Em mais detalhe, pretende-se que a partir dessas imagens registadas em vídeo se consiga criar um modelo anatómico capaz de reproduzir exactamente os mesmos movimentos em 3D, incluindo expressões faciais. Isto permitirá desenvolver novas formas de interagir com os computadores, bem como o desenvolvimento de animações mais realistas na indústria cinematográfica e dos vídeo-jogos.
Em termos de engenharia biomédica, esta tecnologias têm potencial aplicação na biomecânica do movimento, onde substituiriam os caros aparelhos actualmente necessários à descrição 3D de um movimento. Outra possível aplicação seria em cirurgias assistidas por robôs, que hoje em dia já são utilizados em blocos operatórios de diversos hospitais.
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domingo, 18 de Outubro de 2009
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